sábado, fevereiro 21, 2015

Uma retificação necessária!

Em respeito ao comentário no texto sobre "impressionismo" recém publicado nesse blog, é importante retificarmos o texto para fazer justiça. 
O texto não se refere as organizações de orientação morenista, como LIT ou UIT, mas apenas, e tão somente ao pensamento político de alguns de seus militantes. 
Acontece que em geral a linha dessas organizações é a formação de seitas, onde só há organizações equivocadas, exceto as suas próprias. 
Mas, para fazer justiça é necessário que se diga: NEM LIT, NEM UIT TEM, ATÉ O MOMENTO,   UMA LINHA BASEADA NO IMPRESSIONISMO.

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Impressionismo: uma lição não apreendida pelos "morenistas brasileiros"

O jornal espanhol El País publicou uma matéria hoje com o título  "Atenas reduz exigências e se aproxima de um acordo com o Eurogrupo". E claro que a galera do “Eu avisei”, composta essencialmente por “marxistas-leninistas-trotskistas-morenistas-brasileiros-de-esquerda-meia-lua-pra-frente-soco” já se manifestaram dizendo que já sabiam de tudo que o caminho é a revolução, Syriza=PT e mais toda a receita de bolo dos últimos 30 anos.
Parece-me que além de ficarem só no título da matéria, sem a ler (o que já é um certo costume, veja aqui) não aprenderam a lição de “impressionismo” com o próprio mentor Nahuel Moreno. O termo impressionismo foi utilizado por Moreno, em uma polêmica travada com Ernest Mandel e Michael Pablo no do Secretariado Internacional da Quarta Internacional (SI-QI). Basicamente, defendeu Mandel que as análises de conjuntura feita pela direção do SI estavam equivocadas pois baseavam-se em um método que tinha como fonte de análise: 1 ) a mídia burguesa; 2) Os partidos comunistas; e isso levava a uma conclusão pequeno-burguesa.
E é exatamente o que fazem atualmente. Ao dizer que (repito, sem ler a matéria) governo Syriza recua e traí o programa que o elegeu, entra no jogo que a burguesia quer, em dizer que: “o Eurogrupo, BCE e FMI, seguem fortes que se curva é o Syriza”, não percebe que até antes das eleições esses organismos internacionais estavam irredutíveis na discussão sobre a austeridade e o cumprimento das condições da Troika.
Entra agora no momento mais delicado, e o povo grego, ao contrário dos impressionistas brasileiros, fazem sua parte, durante a reunião do Eurogrupo, os gregos mostraram o programa que defendem nas ruas.
Assim, afirmar que um acordo que desafogue a Grécia é uma traição do Syriza, não passa de uma conclusão pequeno-burguesa, já que no acordo, quem perde são os braços do imperialismo que apertaram a Grécia com a austeridade.

Assim, os morenistas apesar de inventarem a palavra, não aprenderam com ela. E ainda cometem o mesmo erro de décadas: torcer pela burguesia em um confronto com qualquer partido ou organização que não seja a sua!

UMA RETIFICAÇÃO NECESSÁRIA

quarta-feira, fevereiro 11, 2015

As aventuras do fanatismo partidário: Não importa a matéria, se o título me interessa é isso que eu uso!


O título da matéria assinada pela jornalista Franssinete Florenzano traz estampado: “Edmilson se junta a Jatene pelo Pará”, acabou dando armas ao fanatismo político paraense, principalmente para o esquerdismo.
A conclusão política tirada apenas do título da matéria é a seguinte: 1) Jatene está “pelo” Pará. 2) Edmilson vem depois, e se “junta”. 3) “pelo Pará” é um projeto de Pará o qual, agora, Jatene e Edmilson fazem partes “juntos”, o segundo seguindo o primeiro. 4) Edmilson e Jatene tem a mesma agenda política para o Estado. Honestamente, não creio que seja isso. O projeto de Estado defendido por Jatene e sua base aliada é o Pará entregue a iniciativa privada, como fez com os Hospitais Regionais e vai fazer com o Abelardo Santos em Icoaraci. Essa visão de saúde não é compartilhada pelo deputado Edmilson que em diversas vezes se posicionou contrário a gestão dos Hospitais Públicos por OS.
Na matéria mostrou-se que há uma disposição do gestor estadual e do deputado federal em construir uma relação republicana séria, mantendo as posições políticas de diferenças e oposições, mas republicana e democrática. Tanto que no texto se destaca as falas dos “personagens envolvidos” e não teorias da conspiração ou “achismos”.
Mas acontece que o título da matéria jogou lenha na fogueira esquerdista, apesar da reportagem mostrar que se trata do cumprimento político e constitucional das atribuições de deputado federal.
Tão vergonha alheia quanto os que compartilham matérias do site “Sensacionalista” como se fossem verdadeiras, é a posição dos esquerdistas que não leram a matéria. Visam dizer que há uma aliança política e programática entre PSOL e PSDB no Pará. Atribuem isso ao fato do deputado federal do PSOL, oposição aos governos do PT e PSDB, querer cumprir com suas atribuições parlamentares constitucionais.
A reportagem, apesar do título (um tanto tendencioso), demonstra o que no mínimo todo parlamentar federal deveria fazer: exercer as atribuições legais e constitucionais, independente da promoção de governos e pessoais. A relação republicana estabelecida entre o Deputado Edmilson e o Governador Simão Jatene, não pode ser confundida com acordo programático. Além do que a reportagem demonstra o quanto o Pará é prejudicado pela forma como é dividido os impostos e prejudicado pela Lei Kandir e isso é um tema estratégico para qualquer gestor, independente de partido.

Se bem, que vindo do esquerdismo paraense não é confusão. Ou é má-fé ou a mais pura burrice (ou os dois)!

Austeridade a moda latino-americana que ganhou força na Europa.

Austeridade, o que é? O que faz? E onde vive? Esse termo ressurgiu no debate econômico dos países europeus. Nós, latino-americanos, da periferia do capitalismo global conhecemos muito bem o significado dessa palavra. Pode não ser na etimologia, mas bem conhecemos os seus resultados práticos.
Austeridade, economicamente falando, é a tentativa de equilíbrio fiscal de um governo para manter o pagamento de seus credores. Tem por finalidade aumentar a arrecadação tributária e diminuir as despesas, para o pagamento de uma: a dívida pública!
Assim uma política de austeridade coloca um governo na posição de fiel pagador dos compromissos financeiros assumidos com bancos e corporações, muitas delas adquirem títulos da dívida pública, tão somente para especular, e fazer disso mais dinheiro para si, sem gastar um centavo de “investimento” no país endividado. No entanto, o Governo em si, o Estado em sim não tem dinheiro, vive dos impostos, e de quem se cobra os impostos? Da população em geral! Quem tem mais dinheiro para pagar os impostos? Os mesmos que são portadores e titulares da dívida pública. Para quem fica mais difícil pagar impostos maiores, juros maiores? Para o restante da população.
Resumindo a política de austeridade é a forma como os mais ricos encontraram para fazer com que o Estado pague, através do dinheiro dos mais pobres e trabalhadores, para que os ricos fiquem mais ricos. Simples assim.
Os latino-americanos se acostumaram com isso desde os anos 90. A sangria dos cofres latinos acabou sendo questionada no fim dos anos 90 pela Argentina e governos de esquerda elegeram-se em vários países, até que o Governo Lula, veio com a perspectiva de garantir o pagamento da dívida pública sem moratória, sem auditoria, sem nada só pagar mesmo. Devido ao crescimento econômico isso foi possível, Bancos e empreiteiras cresceram seus lucros. O Governo Lula, ainda no seu primeiro ano de mandato conseguiu o que FHC quis 8, fazer a reforma da previdência do setor público, retirando direitos dos servidores para suavizar o gasto com previdência, Dilma veio e sacramentou com a criação do FUNPRESP. 
Parece que Dilma é a presidente mais empolgada com a austeridade. Não satisfeita, mexeu nas regras previdenciárias para a concessão de benefícios, pouco antes de assumir seu segundo mandato. A indicação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda é emblemática, garantir que os Bancos (preferencialmente os privados) continuem com aumento nas taxas de lucro, e Dilma já anunciou a abertura de capital da Caixa Econômica para a iniciativa privada. Ou seja, agora o seu FGTS vai servir pra gerar lucro para o BRADESCO, ITAU etc..

Alguns países europeus, principalmente Portugal, Espanha e Grécia vão passar nos próximos anos será uma experiência conhecida pelos latinos-americanos, mas sem dúvida os europeus, se encontram em patamares diferentes, uma vez que partidos de esquerda com influência de massa, com programa anti-austeridade e pró-soberania ganham espaço político, o Syriza e o Podemos, são experiências novas e devem ser observadas como tal. Não são líderes que surgiram, como na America-Latina, como Evo, Chavez, Rafael Correa, são partidos, agrupamentos políticos, o que torna a mobilização popular mais politizada em projetos distintos. O programa eleitoral e partidário é o centro, não o carisma de seus líderes.  

sábado, fevereiro 07, 2015

O que acontece na Petrobras é só da Petrobras?

O procurador da república Rodrigo  Janot apresentou de maneira completa o funcionamento da corrupção na Petrobrás e todos os crimes que envolve, desde crimes contra mercado, corrupção passiva, ativa, dentre outros.
O funcionamento do esquema não era tão complexo quanto a quantidade de crimes apresentadas pelo Procurador, Basicamente, funcionava assim: 1) Era pago uma quantidade X a um diretor da empresa indicado por um partido (aqui é independente se é PT ou PSDB, já que o esquema funciona desde os anos 90) 2) a propina assegura que a empresa que pagou receba um contrato de obra e serviço bilionário 3) Com o contrato garantido, a empresa faz doação para a campanha de determinado candidato ou partido. E isso funciona tem uma dinâmica circular que envolve, o sistema eleitoral brasileiro e empresários. A corrupção não é unicamente para políticos, a iniciativa provada é tão corrupta quanto. 
A corrupção enquanto atividade criminosa tem por finalidade assegurar vantagens, burlando o sistema rígido e burocrático da Administração Pública, conseguindo contratos que nunca serão executados, nem questionados pela Administração já que os políticos devem suas conquistas eleitorais ao dinheiro "doado" pelas empresas. 
O dinheiro que compra o voto nada mais é do que o dinheiro do contribuinte passados para empresas, devolvidos aos políticos que usam o seu dinheiro pra comprar o seu voto. No final das contas é o contribuinte comprando o voto dele próprio. O que é bastante estúpido!
Mas a principal dúvida é a seguinte: não foi algo parecido que aconteceu com as "obras da Copa"? Não é algo bem parecido com o que acontece com o BRT em Belém? Com os contratos da Pró-Saúde para administrar os Hospitais Públicos no Pará? 
A operação "Lava Jato" e o inquérito demonstra uma fórmula geral da corrupção na União, Estados e Municípios. Patrocinada pelas empresas privadas, garantida por políticos corruptos, e com o disfarce da legalidade assegurado pelas formas de doações de campanha. 
Contemos agora que a "revolta" dos eleitores do PSDB não seja tão seletiva, assim como as ações do Ministério Público dos Estados são com seus governos Estaduais.   

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

É Carnaval!!! E violência contra mulher não faz parte da festa.

Desde 2009 o crime de estupro foi alterado no Código Penal. Antes a redação era a seguinte: " Art. 213: Constranger mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça. Pena de reclusão de 2 a 8 anos". Assim podemos dizer que só era possível o crime de estupro em mulheres! Homens não seriam "estupráveis", outro fato é que para haver o estupro havia necessidade de conjunção carnal (penetração  peniana na vagina) assim qualquer outro tipo de penetração era considerada como "atentado violento ao pudor" com pena de reclusão de 2 a 7 anos. 
A parir de 2009, com a redação dada pela Lei 10.015/09, desapareceu o crime de atentado violento ao pudor, "unindo-se" ao crime de estupro, cuja redação foi ampliada: "Art. 213 Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou a permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso"(grifo nosso) Além da pena subir dos antigos de 2 a 7 anos de reclusão, para 6 a 10 anos, se a vitima for maior de 14 e menor de 18, ou haver lesão corporal grave vai de 8 a 12 anos, e se resultar a morte da vítima a pena é de reclusão de 12 a 30 anos. Em caso de menor de 14 anos é considerado estupro de vulnerável (CP, Art. 217-A), considerado crime hediondo, 8 a 15 anos, incorrendo na mesma pena aquele que praticar qualquer ato libidinoso com alguém que por motivo de doença, deficiência mental, que não tenha discernimento para a prática do ato, ou que não ofereça resistência, não importando o motivo. Assim, aquele papo machista, que "tem que embebedar a mulher pra transar", que inclusive tem "músicas" nesses sentido, é estupro de vulnerável.
A atual redação permite importantes mudanças. Vejamos: a) o estupro não se resume agora a mulher, homens passam a ser considerados passiveis de estupro. b) não há mais a necessidade unicamente de conjunção carnal mas da pratica, ou permissão para que se pratique, outro ato libidinoso. c) a mulher passa a ser parte ativa no crime de estupro, já que antes pela necessidade da conjunção carnal era impossível que mulher figurasse no pólo passivo de estupro.
O beijo forçado, da qual se utiliza violência ou grave ameaça, passou a ser considerado estupro, por exemplo, segurar forte pelos braços, impedindo que a mulher ou homem se afaste da tentativa do beijo. 
Por isso,  lembrem-se, além de ser  covardia e a mais pura babaquice, beijar alguém a força também é crime!